12/03/2008

GLOBO: A CAMINHO DA VICE-LIDERANÇA


Paulo Henrique Amorim


. Nos últimos dois meses, o "Bom (?) Dia São Paulo" e o "Bom (?) Dia Brasil" perderam alguma coisa perto de três pontos no Ibope.

. O "Bom (?) Dia São Paulo" perde para o Luciano Faccioli e o "Bom (?) Dia Brasil" para o "Fala Brasil", ambos da Record.

. A queda do "Fantástico" é ainda mais grave.

. De 2004 para 2007, o share da audiência do "Fantástico" no conjunto de aparelhos ligados caiu de 55% para 44%.

. A concorrência - pela primeira vez em décadas - obrigou o jornalismo da Globo a calçar a sandália da humildade.

. É muito divertido ver os mauricinhos e patricinhas obrigados a falar de assuntos que interessam ao espectador.

. Engarrafamento, violência, cidades que não funcionam - especialmente São Paulo -, "a vida como ela é", segundo o Nelson Rodrigues.

. Quem, como eu, mora num prédio em que o síndico sintoniza na Miriam Leitão sempre que vou malhar, percebeu que o jornalismo da Globo começa a sentir o calor.

. Foi o que vi hoje.

. Os mauricinhos e patricinhas do "Bom (?) Dia Brasil", com o nariz virado e um certo desdém por aquelas notícias sobre vândalos, crime, tragédias, que são obrigados a anunciar ...

. Que saudades eles têm da Miriam Leitão a falar do M2 da "base monetária" que o Lula explodiu (ou explodirá) ...

. Quando a Miriam e o Alexandre Garcia, o vice-líder da Oposição nas duas casas do Congresso, falam, o ponteirinho do Ibope treme: de medo ...

. Não está longe o dia em que a Globo vai dispensar os serviços de seus ilustres colonistas.

. Como já se disse aqui, o patrão gosta muito de colonista que diga o que ele (patrão) pensa.

. Mas, o patrão gosta mesmo é de comercial de 30 segundos.

. E, como dizia o Boni, toda vez que te falarem em "televisão para a classe A, saia correndo" ...

Em tempo:
clique aqui para ler por que o Conversa Afiada fala em "colonistas".

(*) Foi como a Carta Capital chamou a Globo, em reportagem recente.




http://conversa-afiada.ig.com.br/

11/03/2008

São a favor da tortura 42% dos brasileiros que ganham acima de R$ 2 mil e 40% dos que têm curso superior


É o que afirma Pesquisa sobre Valores e Atitudes da População Brasileira, realizada pelo Ibope e a agência Nova S/B e publicada ontem em O Globo.

Há vários outros aspectos da mesma pesquisa destacados na reportagem, mas que semelhantes a uma anterior do mesmo Ibope, de abril de 2006, chamada
"Corrupção na Política: Eleitor Vítima ou Cúmplice", comentada aqui.

O cruzamento dos dados dessa pesquisa atual, em relação ao comportamento diante da tortura, é que produz resultados interessantes. Se 42% dos que ganham mais do que 5 salários mínimos apóiam a tortura, o índice cai para 19%, entre os que ganham menos de um salário mínimo. Porque, em geral, a tortura é aplicada nestes.

A pergunta da pesquisa não deixa dúvidas. Vou repeti-la, como está no questionário [o grifo é meu]:

No filme “Tropa de Elite”, sobre a forma de atuação do Bope no Rio de Janeiro, aparecem cenas em que os policiais forçam os suspeitos a darem informações através de algumas práticas violentas, consideradas tortura. Se fosse um policial combatendo o crime organizado, você provavelmente...

. Usaria práticas violentas para obter informações importantes de suspeitos, pois esse é o único método que funciona no país
. Nunca usaria práticas violentas contra suspeitos, a não ser para se defender, para não desrespeitar os direitos deles

A pesquisa mostra o tamanho dos “
indignados úteis”, que defendem a tortura, e são freqüentadores dos pitblogs, ardorosos fãs de seus pitblogueiros (desmascarados por Nassif, em seu dossiê Veja, como penas de aluguel, moleques de recados alheios).

É a esse público que
Veja se dirige, como afirmou seu presidente, Roberto Civita. Defendem a tortura policial, porque pensam que ela não os alcançará, e só quando são agredidos, como aconteceu recentemente com um juiz aqui no Rio, percebem o engano que cometem.

Quando 42% da elite financeira e 40% da elite educacional de um país defendem a tortura é sinal de que é chegado o momento de – como dizem as mulheres - repensar a relação.

A tortura é uma ignomínia, que não pode ser tolerada de forma alguma. Ainda mais a praticada pelo Estado, que, ao menos teoricamente, existe para defender os direitos do cidadão e promover a cidadania.

A visão de Dilma


Na noite de quarta-feira passada, entrevistei longamente a Ministra-Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Como surgiram muitos assuntos na conversa, vou soltar em alguns capítulos para melhor poder entender o momento atual, da ótica do governo.

Dilma com a palavra:

“O que pudemos fazer, nesse segundo governo Lula, foi ter alterado a dinâmica do discurso econômico. Antes a dinâmica era: vamos construir a estabilidade. Era importante e o real surgiu para isso. Mas da estabilidade não decorre automaticamente a dinâmica de investimento e crescimento. Tivemos, então, que mudar a dinâmica: mantendo a estabilidade, vamos tratar de crescer”.

“Essa é a mudança fundamental, inclusive em relação a outros momentos históricos. Construímos a base econômica para poder crescer. Agora vamos fazer a inflexão, mas mantendo a estabilidade. Ao contrário de outros momentos da história, nada de ‘liberou geral’”.

“O crescimento vai ser alcançado com planejamento, estruturas de regulação funcionando, agências não capturadas que busquem a competição. Porque é papel da regulação estruturar uma competição isonômica, sem abusos de poder econômico”.

“Um segundo passo relevante é dispor de instrumento financeiros de longo prazo e ser capaz de perceber que Estado estrutura a demanda pública, mas quem vai fazer o investimento é o setor privado. O Estado estrutura a demanda, o setor privado executa, realiza, empreende obras e atenda a demanda. Com isso, cria-se um círculo virtuoso”.

“Nos primeiros balanços do PAC, tinha que ficar uma hora explicando que não era processo de estatização, mas de cooperação entre investimento privado e uma demanda pública e, em alguns casos, de investimento público, como é o caso da Petrobrás e do setor elétrico”.

“No fundo, o papel do governo federal é ser o mentor de uma grande articulação entre os diversos ministérios, governos estaduais e setor privado”.

“Um dos grandes desafios foi a questão das concessões rodoviárias. Primeiro, tivemos que fazer o trabalho emergencial, a operação tapa-buraco. Depois, pensar no futuro, que é a duplicação das rodovias existentes. Aí fizemos os leilões de concessão, mas com a economia estabilizada e a metodologia de cálculo dos pedágios em níveis razoáveis”.

“Um ponto importante foi colocar o Exército para tocar alguns obras que tinham sido paradas na Justiça. Muitos anos sem investimento público fizeram com que as empreiteiras passassem a apelar para a “judicialização” de todas as licitações. Quem perdia, entrava na Justiça e emperrava a obra”.

“Chamando o Exército para tocar a obra quisemos demonstrar que, com a judicialização, todos iriam perder. Muito melhor seria respeitar os resultados porque, com o crescimento dos investimentos, haverá novas oportunidades para o perdedores participarem”.

“Além de saneamento e habitação, haverá obras de energia elétrica (especialmente o início de Santo Antônio e a preparação de Girau), plataformas e gasodutos da Petrobrás, todos projetos de bilhões de dólares” .

enviada por Luis Nassif

10/03/2008

A regra é clara, diz o juiz


Nenhum dos grandes jornais deu tão bem como a Folha o voto “antólogico” do ministro Carlos Ayres Britto, relator da ação contra as pesquisas com células-tronco, que o Supremo Tribunal Federal começou a julgar ontem.

Além de articular as principais passagens do parecer de 50 páginas do ministro – a favor das pesquisas – a repórter Laura Capriglione ressaltou a reação de “feministas presentes no plenário do STF”.

Segundo uma delas, “se a Constituição não garante a inviolabilidade da vida ‘desde a concepção’ – a essência da argumentação de Britto - , pode-se discutir a legalização do aborto e mesmo aprová-la na legislação ordinária”.

A ação foi ajuizada pelo então procurador-geral da República, Claudio Fonteles, dois meses depois da promulgação da Lei de Biossegurança, em 2005. A lei autoriza – sob severas condições – as pesquisas com células-tronco. [Leia, neste blog, a nota “A vida e suas implicações”.]

No entender de Britto, a ação não procede porque os embriões descartados ou congelados em clinicas de fertilização, dos quais os cientistas extraem as células-tronco, não são vida humana, com os direitos que a Constituição lhe assegura.

Algumas das mais sugestivas passagens da manifestação do ministro:

“…vida humana já revestida do atributo da personalidade civil é o fenômeno que transcorre entre o nascimento com vida e a morte.”

“Quando fala da ‘dignidade da pessoa humana’ [a Constituição] está falando de direitos e garantias do indivíduo-pessoa. Gente. Alguém.”

“Tanto é assim que ela mesma, Constituição, faz expresso uso do adjetivo “residentes” no País (não em útero materno e menos ainda em tubo de ensaio ou em “placa de Petri”.

“…as três realidades não se confundem: o embrião é o embrião, o feto é o feto e a pessoa humana é a pessoa humana. Esta não se antecipa à metamorfose dos outros dois organismos. É o produto final dessa metamorfose.”

“Donde não existir pessoa humana embrionária, mas embrião de pessoa humana…”.

“Deus fecunda a madrugada para o parto diário do sol, mas nem a madrugada é o sol, nem o sol é a madrugada”.

“…se toda gestação humana principia com um embrião igualmente humano, nem todo embrião humano desencadeia uma gestação igualmente humana. Situação em que também deixam de coincidir concepção e nascituro, pelo menos enquanto o ovócito (óvulo já fecundado) não for introduzido no colo do útero feminino.”

“O que autoriza a lei é um procedimento externa-corporis: pinçar de embrião ou embriões humanos, obtidos artificialmente e acondicionados in vitro, células que, presumivelmente dotadas de potência máxima para se diferenciar em outras células e até produzir cópias idênticas a si mesmas (fenômeno da ‘auto-replicação’), poderiam experimentar com o tempo o risco de u’a mutação redutora dessa capacidade ímpar. Com o que transitariam do não-aproveitamento reprodutivo para a sua relativa descaracterização como tecido potipotente e daí para o descarte puro e simples como dejeto clínico ou hospitalar.”

“…se é legítimo o apelo do casal a processos de assistida procriação humana in vitro, fica ele obrigado ao aproveitamento reprodutivo de todos os óvulos eventualmente fecundados? Mais claramente falando: o recurso a processos de fertilização artificial implica o dever da tentativa de nidação no corpo da mulher produtora dos óvulos afinal fecundados? Todos eles? Mesmo que sejam 5, 6, 10?”

“…se todo casal tem o direito de procriar; se esse direito pode passar por sucessivos testes de fecundação in vitro; se é da contingência do cultivo ou testes in vitro a produção de embriões em número superior à disposição do casal para aproveitá-los procriativamente; se não existe, enfim, o dever legal do casal quanto a esse cabal aproveitamento genético, então as alternativas que restavam à Lei de Biossegurança eram somente estas: a primeira, condenar os embriões à perpetuidade da pena de prisão em congelados tubos de ensaio; a segunda, deixar que os estabelecimentos médicos de procriação assistida prosseguissem em sua faina de jogar no lixo tudo quanto fosse embrião não-requestado para o fim de procriação humana; a terceira opção estaria, exatamente, na autorização que fez o art. 5º da Lei. Mas uma autorização que se fez debaixo de judiciosos parâmetros…”.

“…o embrião ali referido não é jamais uma vida a caminho de outra vida virginalmente nova. Faltam-lhe todas as possibilidades de ganhar as primeiras terminações nervosas que são o anúncio biológico de um cérebro humano em gestação. Numa palavra, não há cérebro. Nem concluído nem em formação. Pessoa humana, por conseqüência, não existe nem mesmo como potencialidade. Pelo que não se pode sequer cogitar da distinção aristotélica entre ato e potência, porque, se o embrião in vitro é algo valioso por si mesmo, se permanecer assim inescapavelmente confinado é algo que jamais será alguém.”


“…vida humana já rematadamente adornada com o atributo da personalidade civil é o fenômeno que transcorre entre o nascimento com vida e a morte cerebral.”

Fernando Henrique e o 171 do Plano Real


A se confirmar o que diz o ex-presidente Itamar Franco no Jornal do Brasil, Fernando Henrique Cardoso cometeu crime – e não apenas eleitoral – ao assinar as notas de real já fora do cargo de ministro da Fazenda. O nome da coisa é estelionato – mais informações podem ser obtidas no artigo 171 do Código Penal. Não deve ser difícil provar se a falcatrua se consumou ou se é apenas uma bravata de Itamar.

A auto-estima nacional e a mídia


É curioso o Globo de hoje. A material principal é uma pesquisa sobre o que pensam os brasileiros. A pesquisa constata que os brasileiros se consideram, individualmente, melhores do que o Brasil. Gerou a manchete da materia: “A culpa é dos outros”.

Os dados falam por si. De 1 a 10:

No quesito “respeito e valorização dos idosos, os os brasileiros se dão nota 8,7 para a sua posição; e 5,2 para os brasileiros em geral.

No quesito “preocupação e esforço em preservar o meio ambiente”, 8,5% para si, 5,5 para o conjunto do país.As conclusões dos analistas consultados é que, ao projetar nos outros os defeitos, o brasileiro no fundo estaria exprimindo seus próprios conceitos.

Ninguém falou – e provavelmente não foi perguntado – sobre o “modismo” que há alguns anos tomou conta dos principais veículos e dos principais colunistas: falar mal do país.

O que queriam, com o público sendo massacrado diariamente por avaliações de que o país não presta, que é atrasado, que o brasileiro é folgado, está sempre atrás de uma boquinha, que o Estado é paternalista – até quando cumpre com seus compromissos básicos de inclusão social.

Esse comportamento preconceituoso e elitista está entranhado na chamada "república de Ipanema", a cultura que emana especialmente dos círculos sócio-culturais e jornalísticos do Rio de Janeiro. O jornalismo, hoje em dia, está coalhado desse tipo de colunismo, de colunistas simpaticíssimas, mas que, em seus escritos, exalam preconceito por todos os poros, fundados no lugar-comum do ipanemismo.

Está na hora da mídia começar a avaliar o efeito-mídia. Senão as explicações sobre os aspectos culturais da população serao sempre incompletos. Até para não embarcar nessa de que "a culpa é dos outros".

Se a imprensa não tem responsabilidade na formação da opinião pública, quem teria?


http://www.projetobr.com.br/web/blog/5

7%. Este é o ritmo atual de crescimento da economia. Já dá até para chamar de milagre


Isto é Dinheiro -


Na quarta-feira 12, O IBGE irá divulgar o número final do PIB brasileiro em 2007. Ao que tudo indica, o resultado será melhor do que se previa. Estimativas de crescimento, antes próximas a 5%, já estão sendo puxadas para 5,7% pelas principais consultorias, em função da aceleração da atividade captada no último trimestre do ano passado. As estatísticas, no entanto, funcionam como lanternas na popa. São fachos de luz que só iluminam águas passadas. E, quando se olha para o presente ou o futuro, os números são até melhores. "O início de 2008 surpreendeu a todos", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega. "Se fosse possível projetar esses dados preliminares de janeiro ou fevereiro para o ano inteiro, teríamos uma expansão superior a 6%." Mantega diz que ainda é cedo para cravar um número, mas o ritmo de crescimento atual da economia brasileira anda na casa dos 7%. E, mesmo que haja uma desaceleração nos próximos meses, 2008 irá, no mínimo, repetir 2007. O mais interessante é que isso ocorre sem pressões inflacionárias – ao contrário, tudo indica um resultado abaixo da meta de 4,5%.


Se essa tendência vier a ser mantida, com o Brasil crescendo cerca de 6% ao ano até 2010, os historiadores poderão definir o segundo mandato do governo Lula como um novo "milagre econômico". Principalmente porque há um dado novo na equação. No passado, em outras eras de crescimento acelerado, como os governos de Juscelino Kubitschek (1956-1961) e Garrastazu Médici (1969-1974), a taxa de expansão populacional era maior: 3,1%, no primeiro caso, e 2,8%, no segundo. Hoje, a população brasileira cresce 1,3% ao ano. Isso significa que a renda per capita, que é o que importa, também cresce de forma acelerada. E o milagre atual tem uma vantagem. Como a inflação, além de previsível, é menor, iniciou-se um ciclo inédito de expansão do crédito na economia brasileira. O volume dos financiamentos, segundo Mantega, já se aproxima de R$ 1 trilhão. [...]


[...] O Brasil, enfim, vem colhendo aquilo que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, chama de “dividendos da estabilidade”. Isso trouxe de volta a confiança do consumidor e os investimentos empresariais. Um dos dados mais significativos das estatísticas econômicas é a expansão dos investimentos, o que sinaliza que a expansão da demanda será atendida por uma maior oferta de produtos. É o que está ocorrendo na Dicico, uma grande rede de materiais de construção. "Estamos investindo R$ 100 milhões na expansão da nossa rede", diz o presidente da empresa, Carlos Roberto Corazzin, que abriu 31 lojas no ano passado e planeja outras 27 para este ano. Tudo isso significa mais emprego, mais renda e mais consumo, realimentando o milagre atual e reforçando a idéia do “descolamento” do Brasil em relação à crise americana.


Leia a matéria completa no site do Isto é Dinheiro


http://www.aleporto.com.br/

PAC de batom


Inscritas para obras em três comunidades carentes, mulheres mostram intimidade com o trabalho pesado por pura necessidade. O sonho agora das 'PAC-Quitas' é ter primeira carteira assinada.


O Dia
É pau, é pedra, é o início de um caminho. A promessa de vida que chega com o anúncio do começo das obras do PAC uniu as mulheres das regiões que receberão melhorias. Assim como, no passado, muitas pegaram no pesado para erguer suas casas, hoje as moradoras estão empenhadas em fazer o mesmo em suas comunidades, animadas ainda com a chance de trabalhar pela primeira vez com a carteira assinada.

A construção civil é, na maioria das vezes, a experiência profissional mais freqüente dessas mulheres, que respondem por 40% das 16 mil inscrições para os canteiros de obras do PAC nos complexos do Alemão e de Manguinhos e na Rocinha.

Se o trabalho de uma vida fosse medido apenas pelos registros em carteira, Sandra Maria Pinheiro, 50 anos, teria dificuldade para comprovar a história de luta. Criou os filhos e quando esperava iniciar uma etapa mais tranqüila teve de recomeçar. Ela e o marido construíram sozinhos a casa onde vivem, na Favela de Manguinhos. Depois de passar por todas as fases da obra, Sandra diz-se uma experiente servente. "A medida da massa é diferente para cada parte da construção. Na minha casa, fui eu que fiz as vigas. Só tive dificuldade para assentar o piso", conta.

As chamadas PAC-Quitas - brincadeira com as antigas assistentes de Xuxa -, esperançosas futuras operárias do PAC, enchem as ruas da CCPL em Manguinhos. Na falta de qualificação profissional, as vagas mais procuradas foram de cozinheira e ajudante de obras. "Minha carteira é em branco", conta, encabulada, Eluzia Maria da Silva, 28. O sotaque paraibano denuncia a busca de uma oportunidade no Rio, sonho que até hoje não chegou.

Apesar da empolgação com a possibilidade de conseguir o emprego, as mulheres temem pelos filhos. “O ideal seria ter uma creche na comunidade para ajudar as operárias”, observa Patrícia Luiz dos Santos, 24.

Qualificação não é problema para Rogéria Vilela, 32, moradora do Alemão. Ela vai concluir curso de construção civil até o início das obras. Sempre pôs a mão na massa. Em casa, tarefas mais difíceis são sua responsabilidade.


http://www.aleporto.com.br/

09/03/2008

LÍDER DO ALEMÃO: PAC FICA PRONTO EM 3 ANOS


O Presidente Lula visitou nesta sexta-feira, dia 07, o Complexo do Alemão, no Rio, para dar início às obras do PAC (clique aqui para ver as imagens). As obras do PAC, que começaram nesta sexta-feira em três conjuntos de favelas do Rio (Alemão, Manguinhos e Rocinha), representam um investimento de R$ 1,14 bilhão (clique aqui).

O representante da Associação de Moradores do Complexo do Alemão João Carlos Martins disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta sexta-feira, dia 07, que acredita que as obras do PAC serão concluídas (
clique aqui para ouvir o áudio).

"Acredito porque eu já participei de 20 reuniões e nós temos tudo certo para começar essa obra. Inclusive o Presidente Lula reafirmou hoje... (a obra deve durar) três anos", disse Martins.

Entre as obras que serão executadas no Complexo do Alemão está a instalação de um teleférico, que vai sair da comunidade Céu Azul e passará pela comunidade da Alvorada (Coqueiro), Morro do Adeus, até chegar em Bonsucesso, onde o passageiro terá acesso a outros meios de transporte: trem e metrô. Ou seja, com o teleférico, quem mora na parte mais alta do morro, na comunidade Céu Azul, estará quatro estações distante da estação de trem ou metrô, em Bonsucesso.

No Complexo do Alemão ficava, até o início do Governo Sérgio Cabral, o quartel general do Comando Vermelho.

As obras do PAC no Complexo do Alemão vão promover também a abertura da rua Joaquim de Queiroz, onde está concentrado o comércio da comunidade. A abertura da rua também facilitará a circulação dos moradores do Morro do Alemão.

"A Joaquim de Queiroz tem que ser aberta porque ela é o coração do Complexo do Alemão, (tem) vários mercados, vários depósitos de bebidas. E até a população mesmo, para transitar de veículo", disse Martins.

Segundo Martins as outras obras do PAC no Complexo do Alemão são: saneamento, centro psiquiátrico (para tratar dependentes químicos), biblioteca e sala de esportes.

Martins disse que o Presidente Lula se emocionou durante a visita ao Complexo do Alemão. "O Presidente Lula se emocionou... porque nós trabalhamos duas semanas, passamos para ele a segurança. E conseguimos mostrar a eles que o Complexo do Alemão é outra coisa, não o que eles pensavam", disse Martins.

Clique aqui para ver uma galeria de imagens sobre as obras no Morro do Alemão (inclusive o teleférico).

Clique aqui para ver uma galeria de imagens sobre as obras na favela de Manguinhos.


Clique aqui para ver uma galeria de imagens sobre as obras no Morro da Rocinha.

Paulo Henrique Amorim

O crime de Uribe


O governo de direita da Uribe na Colômbia sempre teve ligações com os EUA. Todos nós sabemos que a direita colombiana recebe dinheiro dos Estados Unidos para se manter no poder.

Os estadunidenses financiaram a campanha da direita colombiana com a desculpa de combater o narcotráfico, na verdade os interesses ianques vão além disso.

Na verdade a maior preocupação estadunidense é a de um dia as FARC’s tomarem o poder na Colômbia e iniciarem uma experiência socialista assim como em Cuba.

Para isso eles injetam dinheiro e manipulam a direita colombiana, assim como Alvaro Uribe.

O presidente Uribe cometeu um dos maiores crimes no direito internacional, a violação do território de um país.

Ele deve pedir desculpas o quanto antes e deixar de ser um pau-mandado do Bush ou ficará isolado na América Latina.

Não podemos permitir que Bush e Cia venha fazer da América Latina o que já fazem no oriente médio.

Wagner não se reelege



Não sou chegado à futurologia, mas vou aqui arriscar um palpite, o governador Wagner esta dormindo de toca na relação política com Geedel, se nada de novo ocorrer acredito que Geedel será candidato a governador contra Wagner em dois mil e dez, com apoio de Lidice da Mata, que será candidata ao senado e João Henrique prefeito de Salvador.

Wagner isolado vai reconhecer tarde que não soube formar uma base de apoio confiável e nem prestigiou os companheiros que comeram poeira com ele nas estradas do interior da Bahia.

Hoje o nível de critica ao governador dentro do PT baiano fica entre xingamentos e declarações de ódio explicito. O sentimento de traição esta se espalhando.


É uma pena, mas na Bahia as esquerdas caminham rapidamente para cometer o mesmo erro duas vezes em vinte anos.

Leiam a matéria publicada na revista Isto É deste fim de semana.




Às segundas-feiras pela manhã, a sala de estar de um amplo apartamento no edifício do bairro de Ondina, em Salvador, fica apinhada de líderes políticos do interior baiano. É uma fila de prefeitos, vereadores e deputados.

Igualmente abarrotada de lideranças municipais e estaduais é a ante-sala de um confortável gabinete localizado na sede da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), também na capital baiana.

Todos aguardam ansiosamente a oportunidade de se aconselhar e pedir a bênção ao ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB). Nas segundas, se ele não estiver no apartamento de Ondina, estará no escritório da estatal. E pedir a bênção a Geddel tornou-se prática obrigatória de boa parte dos políticos baianos.

Desde a morte do senador Antônio Carlos Magalhães (DEM-BA), em julho do ano passado, os dois terreiros onde Geddel despacha todo início de semana servem a rituais que são o inverso do candomblé: ali, os políticos peregrinam em busca de proteção e de um futuro melhor. Mas, em vez de doar, eles recebem as oferendas do novo babalorixá da Bahia: cargos, verbas, projetos, favores e promessas.

“Geddel está atropelando todo mundo. Ele está oferecendo muita coisa: tem o amparo do governo federal, espaço importante no governo do Estado e o comando da Prefeitura de Salvador. É muito difícil segurar a debandada”, reconhece o próprio herdeiro natural do carlismo, o líder do DEM na Câmara, deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (BA).

Ao mesmo tempo que avança sobre os antigos redutos de ACM, o ministro também provoca arrepios em seus novos aliados petistas – em 2006, Geddel uniu-se ao PT para eleger Jaques Wagner governador da Bahia e foi em troca desse apoio que ele, de antigo desafeto de Lula, passou a ser o titular da Integração.

Istoé

Quem está fora de sintonia com o povo?


Por que será, que no site de um partido de direita e de oposição ao governo do presidente Lula, o resultado de uma enquete é completamente contrário às políticas do partido?

Afinal de contas a oposição está ou não perdida, sem propostas e desconectada das demandas da população?

Por está sendo realizada em um site de um partido de direita e oposicionista, era de se esperar que o resultado da pesquisa fosse contrário ao governo do presidente Lula.

Mas o que ocorre é a reafirmação da tese que defendo. A oposição está sem propostas e perdida.

O povo reconhece as intenções do presidente Lula e do PT, diferentemente de FHC que ficou por oito anos no poder tentando empurrar garganta abaixo do brasileiro uma reforma neoliberal.

NAS BANCAS, A GUERRA NUNCA ACABA: QUANDO O JORNALISMO É ATROPELADO PELA REALIDADE

A cegueira ideológica da revista veja, termina por fazer a publicação se descolar completamente da realidade semana após semana, a revista que chegou ontem as bancas trata de uma guerra que acabou antes de começar. Na ânsia de atacar Chaves e fazer o jogo de interesse americano na América do Sul promovendo uma guerra entre nações latinas, a revista semanal de esgoto, não viu a banda passar. O Luiz Carlos Azenha não perdoou.

Gerson


Se eu estivesse preocupado com popularidade ou audiência, me inscreveria em um concurso de miss. Abracei o jornalismo por curiosidade e acredito em alguns princípios que aprendi por osmose desde cedo, numa redação cheirando a chumbo e tinta, com o Valzinho, o "seo" Nadir, o doutor Nilson, o Danton Gamba e muitos outros colegas, na rua Primeiro de Agosto, em Bauru. As pessoas passam, os princípios ficam.

Hoje participei de boa parte de um encontro entre jornalistas e professores de Jornalismo em São Paulo. Havia três gerações na sala de reuniões. Mauro Santayanna estava lá, como integrante da "bancada da gravata". Um exemplo de integridade que me fez lembrar de muitos colegas com os quais compartilhei e compartilho essa profissão.

Adianto que estou escrevendo em um laptop, com uma conexão sem fio. Se o texto ficar pela metade vocês entenderão o motivo. O Brasil ainda é uma democracia em construção, pré-capitalista para a maior parte de seus habitantes. Por isso, acredito que há um gigantesco espaço comum para enfrentar alguns dos desafios do Jornalismo.

O maior deles é o de oferecer ao público uma alternativa à mídia partidarizada, que distorce, deturpa e omite informações em defesa de seus próprios interesses políticos e econômicos.

Eu acho que o Brasil precisa de mais democracia. Acho que é preciso jogar luz no obscuro cipoal de interesses que envolve as concessões de rádio e TV. Acho que é preciso incentivar as rádios, as TVs e os jornais comunitários. Acho que é preciso regionalizar a produção de conteúdo. Acho que é preciso aprofundar a crítica da mídia para muito além do Observatório da Imprensa. Acho que é preciso rever os gastos com propaganda de governos municipais, estaduais e do federal. Acho que existe um papel para o Estado, direta ou indiretamente, na implantação de uma rede nacional de internet rápida - adaptando para as circunstâncias brasileiras o que se fez no Japão ou na Coréia do Sul. Acho que não faz sentido manter com dinheiro público uma faculdade de Jornalismo como a Escola de Comunicações e Artes (ECA) se ela abdicar da tarefa de formar seus alunos e transferir esse encargo para a TV Globo, a Abril ou a Folha de S. Paulo. Que se transfira de vez a incumbência de formar jornalistas às grandes empresas, economizando dinheiro público para montar centros de inclusão digital, por exemplo, com monitores para ensinar novos usuários a pesquisar na internet.

Não acredito em esforço heróico, ególatra ou centralizado para fazer avançar essas idéias. Eu sei que mesmo entre os leitores deste site algumas das idéias que expus acima recebem apoio, outras não. Sei que vocês, por não serem jornalistas, têm opiniões e idéias diferentes ou divergentes. Só de lidar com vocês - cadê a Francine? - no dia-a-dia eu já sabia que nunca estive sozinho. A reunião de hoje deixou claro, até quanto pude enxergar, que há muito mais gente perplexa pelo que se faz passar por jornalismo.

Não é preciso palavras para "fotografar" esse descompasso entre realidade e ficção. Pode se dizer que a capa de Veja desta semana foi atropelada pela notícia.

UM DIA ANTES, NA REPÚBLICA DOMINICANA:

http://www.viomundo.com.br/

08/03/2008


Neste oito de março, o Jacarandá homenageia as mulheres do Brasil publicando uma das melhores fotografia do jornalismo brasileiro de todos os tempos.

Essa menina, hoje mulher, talvez ainda menina que ao se negar a estender a mão ao General Figueiredo o ultimo ditador do Brasil, escreveu historia.

Onde estará esta pequena gigante heroína...?

Somente uma alma genuinamente feminina poderia em tempos tão sombrios negar-se ao ditador, sem rancor nem amargura com um sorriso infantil e maroto nos lábios.

Se podemos nos orgulhar do Brasil de hoje e da democracia que construímos, devemos muito disso as mulheres, as meninas a nossa alma feminina.

IBGE: Mulheres com registro em carteira são maioria


No primeiro mês deste ano, das mulheres ocupadas, 37,8% tinham trabalho com Carteira Assinada no Setor Privado, enquanto o percentual entre os homens foi de 48,6%.

Em janeiro de 2003, as proporções de homens e mulheres com carteira assinada eram, respectivamente de 35,5% e de 44,3%. Os dados fazem parte da Estudo Especial sobre a Mulher realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Entre os Trabalhadores Domésticos a participação foi de 16,5% e de 0,7%, respectivamente, para mulheres e homens. Nas demais formas de inserção, as mulheres ocupadas estavam distribuídas da seguinte forma : Empregadas sem Carteira Assinada , 12,1%; Conta Própria , 16,9% e Empregadoras , 3,0%.

Em termos regionais, a maior concentração de mulheres ocupadas com carteira assinada foi na região metropolitana de Porto Alegre (42,4%); e na região metropolitana de Salvador, o maior percentual das mulheres ocupadas em trabalhos domésticos (18,9%) em janeiro de 2008.

Portal do Mundo do Trabalho

Uribe e as FARC: violência interessa a ambos


Estranho sinal: o grupo “guerrilheiro” teria se transformado na principal fonte de legitimidade do presidente de ultra-direita

Estamos reunindo material para um texto sobre a Colômbia. Opiniões e o envio de artigos são muito bem-vindos. Segue o link para dois textos publicados recentemente no Caderno Brasil de Le Monde Diplomatique, com bons subsídios ao exame do tema. Algumas hipóteses preliminares, com base nos artigos citados e em muitos contatos com integrantes da sociedade civil e movimentos sociais colombianos são:

1. As políticas criminosas do presidente Uribe têm sido enfrentadas por um movimento social ativo e vibrante, cujo tema central tem sido, nos últimos anos, o combate à violência. Graças a mobilização social, os índices de criminalidade reduziram-se drasticamente, por exemplo, em cidades como Bogotá e Medellin. Influiu igualmente a eleição, em especial em Bogotá, de um seqüência de prefeitos do Pólo Democrático, uma frente à esquerda. Nestas cidades há uma forte cultura de paz, que começa a se irradiar pelo país. O texto sobre as eleições traz muitos dados a respeito.

2. Uribe sofreu durante muitos meses um processo crescente de isolamento político, que terminou na desarticulação de seu grupo parlamentar de apoio, nas últimas eleições municipais. Além disso, seus laços com os paramilitares tornaram-se explícitos e muitos de seus acordos com tais grupos foram considerados inconstitucionais pela Corte Suprema, que é bastante democrática.

3. O grande trunfo político de Uribe é o sua alegada condição de homem capaz de enfrentar as FARC. Não se trata de um grupo guerrilheiro que luta em favor de uma causa, mas essencialmente de um bando criminoso. Seu apoio entre a população é próximo de zero. Segundo pesquisas, 2% os vêem como um grupo que contribui positivamente para o país. Há motivos para isso. As FARC mantêm centenas de reféns, inocentes seqüestrados como forma de fazer dinheiro. As FARC promoveram dezenas de assassinatos políticos, inclusive contra diversos parla mentares e prefeitos de esquerda. As dinâmica ultra-militarista das FARC as mantém alienadas da vida política real do país. Sua lógica já não leva em conta o apoio popular, mas essencialmente a capacidade de manterem viva sua própria estrutura — o que é feito em grande medida por meio do crime comum.

4. As FARC tornaram-se, portanto, o *principal fator de legitimidade política de Uribe*. O presidente *precisa* delas, para recuperar popularidade. Assim como fazia o espanhol José Maria Aznar com o ETA, cada arroubo contra as FARC é um aumento garantido de popularidade do presidente. E qualquer tentativa de queimar a oposição de esquerda começa insinuando que esta tem vínculos com o grupo. Em contrapartida, nada mais cômodo para as FARC do que usar, como pretexto para sua lógica militarista e criminosa, a existência de um governo de ultra-direita aliado aos EUA…
Vi o mundo

FARC devem liberar Ingrid Betancourt


Anotem aí. É questão de dias. Ou, talvez, de horas. Mas as FARC vão libertar Ingrid Betancourt, e essa será a melhor vingança do grupo guerrilheiro contra Uribe.

Liberada, a ex-senadora franco-colombiana deve concorrer novamente à presidência do país. Para isso, vai bater de frente com a ambição de Uribe de mexer na Constituição mais uma vez para tentar nova reeleição. É bom lembrar que Uribe foi reeleito graças a uma mudança na lei, que não permitia a reeleição. Agora, ele quer um terceiro mandato. Maisd uma vez apoiado pelos Estados Unidos. Ingrid pode acabar com essa possibilidade.

Esse é um dos motivos do assassinato de Raúl Reyes, o principal negociador das FARC. Liberando Ingrid, as FARC atam as mãos de Uribe.

O mimeógrafo do Coxa


Faz 29 anos. O presidente do sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo e Diadema Luis Inácio Lula da Silva, melhor conhecido como Lula, amarga a pane do mimeógrafo que imprime O Ferrador, jornal da entidade, de grande influência sobre os espíritos locais. Lula me diz dos seus dissabores, e eu enxergo uma saída. Saí no encalço do Coxa. Ou seja, do meu amigo Eduardo Rocha Azevedo, então vice-presidente da Bolsa. E a ele me apresentei em um discurso, entre o sentimental e o demagógico: “Coxa, preciso de você, preciso de grana para comprar um mimeógrafo”. Incrédulo, Coxa ponderou:

“Mimeógrafo? Para quê? Para imprimir a Istoé e o Jornal da República?”.

Esclareci: “Não, é para o Lula, este cara merece apoio e ainda vai ser muito decisivo na história do Brasil”. Não foi preciso perorar. Nem sei se o Coxa tinha esta confiança toda nos meus vaticínios políticos. Certo é que logo disse: “Deixa comigo”. Bateu à porta do presidente da Bovespa, Fernando Nabuco, outro amigo, nadador de duas Olimpíadas, e ambos cuidaram de adquirir um mimeógrafo de grande porte e da mais recente geração. Há três anos, em uma festa da CartaCapital que contou com a presença de Lula, o presidente fez um discurso para lembrar aquele enredo remoto. Enganou-se quanto ao tamanho do mimeógrafo, falou em uma máquina off-set. Nem por isso, deixou de ficar comovido ao recordar aquele passado de resistência. Eu também fiquei. O exagero presidencial faz parte de amizades nunca exageradas.

Uma biografia do Coxa está nas livrarias, publicada pela Editora Contexto e escrita por Angela Ximenes. Trata-se da história de um empresário bem-sucedido , embora dotado de coragem bastante para enfrentar monstros autênticos em lugar de moinhos a vento. E em cujo currículo existe até o mimeógrafo portentoso que Lula chamou de off-set.


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Galileu motiva nova briga com a Igreja


Cientistas foram impedidos de coletar DNA

Mais de 360 anos depois de sua morte, o físico e astrônomo Galileu Galilei volta a ser motivo de polêmica entre a Igreja Católica e a ciência. O cientista que desafiou a teoria vigente de que a Terra era o centro do Universo e foi obrigado a renegar suas próprias idéias para não ser condenado à morte pela Inquisição é novamente pivô de uma briga que envolve religião e pesquisas científicas.

Pesquisadores italianos, liderados pelo professor Paulo Galluzzi, diretor do Instituto e Museu de História e Ciência, em Florença, querem exumar o seu corpo. Mas a Igreja é contra o projeto, e alega desrespeito.
Um dos objetivos da exumação é fazer exames de DNA para descobrir a causa da cegueira que acometia o cientista.

Pesquisadores querem também confirmar se o corpo com o qual Galileu divide seu túmulo é o da filha, a freira Maria Celeste.

Ele viveu de 1564 a 1642, e entrou em choque com autoridades da Igreja Católica ao afirmar que a Terra girava em torno do Sol (a teoria heliocêntrica, que contrariava o geocentrismo).

Por causa de suas afirmações e publicações, ele foi acusado de heresia e condenado a renunciar publicamente às suas idéias e à prisão por tempo indeterminado. A pena foi substituída por confinamento em casa, onde ele morreu. Os corpos estão enterrados na Basílica da Santa Cruz, em Florença.

Fonte O Globo

Postado por Luis Favre

Arapongagem da era ACM devem abrir guerra na CPI dos grampos


Escutas clandestinas feitas na Bahia em 2002, a mando do senador Antonio Carlos Magalhães, morto no ano passado, devem abrir na próxima semana uma guerra entre oposição e base aliada na CPI dos Grampos – ou, na melhor das hipóteses, entre PT e Democratas (DEM), legenda à qual pertencia ACM.

Estão na fila de espera para serem votados na comissão quatro requerimentos para convocar os supostos “agentes” do cacique baiano que grampearam seus inimigos políticos naquele Estado. As denúncias e investigações feitas na época davam conta de nada menos que 126 telefones interceptados. O atual relator da CPI, deputado federal Nelson Pellegrino (PT-BA), foi uma das vítimas.

Os quatro requerimentos são de autoria do deputado federal Colbert Martins (PMDB-BA), que explica: “O requerimento chama os envolvidos diretos no caso: a secretária de segurança o delegado de polícia, o chefe da casa Militar e o operador do grampo (todos autoridades da Bahia em 2002). Estamos aqui para investigar uma escuta ilegal que envolveu diretamente parlamentares que hoje estão aqui e que não foi concluída, não houve punição para os envolvidos. Esse grampo envolveu funcionários e dinheiro públicos”.

Nos bastidores, o líder do DEM na Câmara, deputado federal ACM Neto (o nome explica tudo), quer impedir a todo custo a ressurreição da história, que só atrapalharia sua legenda e aliados num ano eleitoral.

Há membros da CPI que revelaram ter recebido telefonema direto de ACM Neto com o aviso: se aprovarem os requerimentos, vai haver guerra.

(Regina Bandeira e Rodrigo Ledo, repórteres)