28/03/2008

Imprensa e ideologia


Por weden
A imprensa não é ideológica.
Criar "crises artificiais", o que nunca deu certo, visto a aprovação do governo Lula, foi a tentativa sistemática da imprensa oposicionista (pensem: não independente, mas oposicionista) de minar o governo.
Prática política partidária de motivações muito pequenas para a grandeza da história de nossa imprensa.
O que nos estarrece é que essa parte de nossa imprensa não é nem mais ideológica.
"Ideologia" diz respeito a relações de força em uma sociedade e, um caso em particular, é a relação de forças partidiárias.
Mas como as sociedades são complexas, a instância partidária nem sempre é a face mais importante, representativa, daquela relação de forças (a política econômica do governo Lula é uma política de esquerda?).
Ora, nosso jornais não aspiram a complexidade necessária das relações de força, não são ideológicos.
São meramente partidários. Não tem pontos de vista a serem defendidos. Tem agremiações.
Não se sabe se a Folha é realmente um jornal conservador ou progressista. Ninguém sabe se é a favor ou contra a liberação das drogas, do casamento entre homossexuais, das formas de combate ao racismo, etc. Depende do momento.
Se Arthur Virgílio disser que é contra e Lula disser que é a favor, independente do objeto do qual se é contra ou a favor, a Folha será contra.
No caso inverso, invertida estará sua opinião.
Só isso.
È pouco.
Para o sonho do velho Frias.
http://www.projetobr.com.br/web/blog/5

Pronunciamento de Lula


"Minhas amigas e meus amigos, o presidente da República vem se pronunciar em cadeia nacional de rádio e televisão a fim de cumprir um dever cívico, o de alertar a sociedade para um fato que não pode passar desapercebido, porque interfere na vida institucional da nação. Quero falar da imprensa brasileira.

Antes de ir ao centro da questão, declaro que considero a imprensa uma das mais importantes e necessárias instituições de um país. Liberdade para informar tudo, principalmente sobre os governantes, é condição primeira da democracia, de maneira que sempre fui e sempre serei um defensor intransigente da liberdade de imprensa, da liberdade de informar.

A imprensa brasileira é uma das mais livres do mundo. Aliás, muitos dizem que ela abusa dessa liberdade, mas meu governo - e eu mesmo - jamais consideraremos que liberdade pode ser muita. Quanto mais liberdade, melhor. Contudo, a liberdade de imprensa deve vir sempre acompanhada de responsabilidade e de honestidade.

A imprensa pode ter preferências políticas e ideológicas. Nos Estados Unidos, por exemplo, grande parte dos meios de comunicação fazem opções eleitorais, apóiam este ou aquele candidato, sem problema nenhum. O problema existe quando a imprensa faz escolhas políticas e não diz que fez. Quando isso acontece, ela está enganando seu público.

A imprensa brasileira sempre fez suas escolhas políticas no decorrer da história e essas escolhas mudaram os rumos da nação. Os grandes jornais, tevês e rádios sempre derrubaram e elegeram governos. A revolução de 31 de março de 1964, que desembocou na ditadura militar, foi possível graças à imprensa. O primeiro presidente eleito pelo voto direto depois da ditadura, foi eleito graças ao forte apoio que recebeu da imprensa.

O sentido deste pronunciamento é o de avisar aos brasileiros que a chamada grande imprensa de seu país tem lado na disputa política. A oposição ao governo Lula conta com grande simpatia dessa grande imprensa, da escrita e da eletrônica. Os veículos de imprensa que apóiam o governo ou que não atuam inclinados para algum lado político são todos de menor porte, com menor alcance, e, em geral, estão restritos à internet.

Como presidente da República, julgo que é importante prestar contas dos atos do governo que presido e quero que a imprensa acompanhe e fiscalize a forma como este ou qualquer outro governo está administrando os recursos públicos e sobre como está planejando estrategicamente a condução do país. Contudo, como venho me sentindo prejudicado por uma cobertura jornalística da grande imprensa claramente simpática às teses da oposição ao meu governo, quero exercer um direito inalienável de qualquer brasileiro, o de liberdade de expressão.

Quero recomendar aos brasileiros que prestem muita atenção no que a imprensa diz do governo que presido. Prestem atenção se essa grande imprensa fiscaliza os adversários políticos desse governo onde eles também são governo, nos Estados e Municípios, com o mesmo ímpeto que fiscaliza o governo federal. Não peço, portanto, que o governo que presido não seja investigado, mas que todos os governos, de todas as esferas da administração pública, sejam de que partido forem, sejam investigados da mesma forma.

E, principalmente, se a visão crítica sobre governos - que deve sempre existir na imprensa - é para todos ou somente para alguns, sempre do mesmo partido. Qualquer governante que não tiver ninguém se opondo a ele na imprensa, é porque é amigo dessa imprensa. Imprensa não deve ter amigos no poder, deve olhar o poder de forma crítica sempre, seja quem for que ocupe o poder. Quando a imprensa poupa de críticas e investigações algum governante, é preciso desconfiar.

De resto, peço aos brasileiros e à imprensa que continuem investigando e criticando o governo que presido, mas que a imprensa imite o conjunto da população e seja investigativa e crítica em relação a todos os políticos e não só a alguns. Que ela não recuse investigar denúncias contra uns e se empenhe em só investigar denúncias contra outros.

Muito obrigado."


Não, caro leitor, infelizmente o pronunciamento acima não foi feito pelo presidente Lula em cadeia de rádio e tevê e nem em qualquer outro fórum. Saiu da minha cabeça. É o que eu gostaria que Lula fizesse. Só que ele não faz. Chega a ser impensável que faça. É uma pena, porque ele deveria fazer. E, em minha opinião, em cadeia nacional de rádio e tevê e no horário "nobre". Vocês não concordam?

Escrito por Eduardo Guimarães às 09h18

Folha, de rabo preso com a oposição


A Folha, não aguentou. Foi demais 73% de popularidade do Presidente Lula. Hoje, deu o troco. Escolheu cuidadosamente a manchete de primeira página "Principal assessora de Dilma montou dossiê contra FHC".Para os assinante a dose foi dupla. "Braço direito de Dilma fez dossiê contra família FHC. Deu a senha para a oposição.

“A Principal assessora de Dilma montou dossiê contra FHC. "A secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Alves Guerra, braço-direito da ministra Dilma Rousseff, deu a ordem para a organização de um dossiê com todos os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de sua mulher, Ruth, e ministros da gestão tucana”.

Nossa. Que bela defesa ao ex-presidente, não é mesmo? Sou capaz de apostar que a baba escorria no canto do beiço do jornalista enquanto escrevia a matéria.

Kennedy Alencar, está em estado de alucinação. Tratou de escrever dois artigos. No de ontem, o moço falou em escândalo, crise no governo, Dossiê montado a pedido da Dilma contra o patrão, ops, digo, Fernandão.

No de hoje, Kennedy se superou: Dilmagate. Em seguida, para colher comentarios de indignados tucanos, a Folha
criou um fórum. Não deu certo. A maioria dos comentaritas sairam em defesa de Lula e Dilma.
A Folha não quer a cabeça da secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Alves Guerra. Erenice, é peixinho perto da ambição da Folha em eleger seu candidato a presidência. Ela quer sim queimar Dilma, braço direito de Lula, que segundo eles, é a provável sucessora do Presidente. O grande preconceito da mídia contra Dilma é por ela ter sido guerrilheira. A discriminação, é por ser mulher e quem sabe ser a Presidenta.

O filhote de cruz credo com Deus me Livre, o rei do oportunismo atual na política Heráclito Fortes, entendeu o sinal da Folha, afirmou que Dilma Rousseff está na "frigideira" .

Em discurso na cidade de Delmiro Gouveia (AL), durante o lançamento do programa Territórios da Cidadania no Estado, Lula disse: "Estão lá (no senado) os nossos amigos do DEM, que tiveram tanta vergonha que mudaram o nome do partido, de PFL para DEM. Estão lá, destilando ódio, destilando ódio. Ódio. Coisa que mesmo que, quando era dirigente sindical, não conseguia destilar ódio contra os meus adversários".

Se a Folha pensa que Lula vai afastar a Dilma ...Pode tirar o burrinho do sol para não ter insolação.

Imaginem vocês, estamos em 2008, e a Folha já está a todo vapor panfletando para o Serra. Como será então, se a Dilma se declarar candidata?

A Folha e a oposição, não devem soltar rojão antes da festa. A
pesquisa de ontem mostrou que a nossa raça continua muito viva.

27/03/2008

Aprovação de Lula sobe para 73% e governo tem a melhor avaliação em 5 anos




A aprovação dos brasileiros ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva cresceu 18 pontos percentuais em um ano e alcançou a marca de 73%, segundo pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta quinta-feira (27).

Em março do ano passado, a aprovação estava em 55%, índice que já era considerado alto. Os 73% alcançados agora são inferiores apenas à pesquisa feita no início do primeiro mandato, quando Lula tinha 75% de aprovação. A diferença de dois pontos percentuais está dentro da margem de erro da pesquisa.

A avaliação positiva do governo federal também é a melhor desde a primeira posse. Hoje, de acordo com a pesquisa, 58% dos entrevistados acham a administração federal boa ou ótima, contra apenas 11% que a consideram ruim/péssima. Para outros 30%, o governo é regular.

Em dezembro de 2007, na edição anterior da pesquisa, a avaliação do governo foi de 51% - índice igual ao de março de 2003.

Na mesma linha, a confiança no presidente foi a 68%, enquanto apenas 28% dos entrevistados afirmaram não confiar em Lula. Em dezembro do ano passado, o índice de confiança era de 60%.

Segundo a CNI/Ibope, o movimento expressivo das avaliações positivas também repercutiu na expectativa em relação ao segundo mandato de Lula. Dos entrevistados, 42% afirmaram que o atual mandato de Lula está sendo melhor que primeiro.

O percentual dos que consideram o segundo mandato pior que o primeiro caiu de 21% em dezembro para 16%.

Para 81% dos entrevistados, 2008 será um ano bom ou muito bom; 42% acreditam em aumento da renda pessoale 54% acham que o desemprego vai diminuir ou permanecer na faixa atual.

Categorias

A aprovação do presidente Lula e avaliação do governo são positivas em todas as faixas das categorias discriminadas na pesquisa: faixa etária, renda, grau de instrução, região e porte do município.

Na aprovação, os destaques são: Nordeste (85%), estudo até o Ensino Médio (média de 75%), até 1 salário mínimo (84%), até 10 mínimos (média de 75%) e interior (75%).

Na avaliação do governo, destacam-se: Nordeste (70%), estudo até 8ª Série (média de 62,5%), até 5 salários mínimos (média de 64%) e interior (61%).

A nota média atribuída ao presidente Lula também é recorde dos 5 anos de governo: 7,1.

Ações

As ações do governo mais bem avaliadas pela população, de acordo com a pesquisa, estão no combate à pobreza (62% aprovam), nos programas sociais de saúde e educação (60%), no combate ao desemprego (55%), no cuidado com o meio ambiente (60%) e no combate à inflação (51%).

O Ibope ouviu 2.002 pessoas entre os dias 19 e 23 de março, em 141 municípios.

Clique aqui para ver a íntegra da pesquisa.


Ato homenageia Edson Luiz, morto pela ditadura há 40 anos


O estudante Edson Luiz Lima Souto, assassinado há 40 anos pela ditadura militar, será homenageado nesta quinta-feira (27) na praça Ana Amélia, centro do Rio de Janeiro. Na ocasião, será inaugurada uma escultura em homenagem ao estudante morto no dia 28 de março de 1968. O evento é resultado de uma parceria entre a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Prefeitura do Rio de Janeiro, União Nacional dos Estudantes (UNE), e União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes).

A cerimônia será realizada no auditório da Casa do Estudante do Brasil (em frente à praça), com a participação do ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH/PR), dos presidentes da Ubes, Ismael de Almeida Cardoso, e da UNE, Lúcia Kluck Stumpf.

O representante da Frente Unida dos Estudantes do Calabouço, local do assassinato de Edson, Elinor Brito e Benedita da Silva, secretária de Ação Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro, também estarão no ato.

Um presença que com certeza emocionará os presentes será a da mãe de Edson Luis, Maria de Belém Souto Rocha, que também deve inaugurar o busto em homenagem ao filho.

Após a inauguração da escultura, está prevista uma passeata até o terreno da sede da UNE, no aterro do Flamengo, onde será aberta a exposição fotográfica ''Direito à Memória e a Verdade — a Ditadura no Brasil 1964-1985''.


http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=34886

A catástrofe da dengue no Rio


Fala-se muito sobre a dengue na cidade do Rio de Janeiro, mas não se disse o principal: a responsabilidade primeira, e maior, pela epidemia é da Prefeitura. É público e notório a incapacidade do prefeito César Maia, há 12 anos no cargo (cumpre o terceiro mandato) de gerenciar a saúde no município. A capital jamais teve uma política preventiva que merecesse esse nome e ele nunca aceitou implantar o programa médico de família.

Agora quem paga é o povo.


A verdade está aí para quem quiser ver: as cidades que fizeram prevenção e implantaram o programa médico de família - para citar apenas uma, a ex-capital fluminense, Niterói, por exemplo - não estão vivendo a situação do Rio. Mas, vamos deixar claro que há responsabilidade, e grande, também dos governos estadual e federal, que não podiam ter deixado a situação chegar a esse ponto. Estamos falando de 5 mil casos de dengue - um a cada 45 segundos - uma verdadeira catástrofe sanitária.


Pois bem, agora o que interessa é deter a epidemia. Toda estrutura dos governos federal e estadual deve ser colocada a disposição da cidade e do Estado do Rio, mesmo que o César Maia continue atacando o governo federal e o ministro da saúde - ao invés de somar esforços -, ou culpando, de forma ridícula, as chuvas que, aliás, caíram e caem em todo o Estado.

http://www.zedirceu.com.br/

Encontro em Salvador, vai debater construção de alternativas de comunicação na internet e na mídia



Os debates sobre a construção de alternativas à mídia corporativa ganham caráter de urgência com a cassação arbitrária do site Conversa Afiada pelo IG. O tema ganhou “as ruas” com a realização de um encontro em São Paulo no dia 8 de março passado. Em conseqüência, foi realizada uma segunda reunião em Porto Alegre no dia 20de março.

Agora, os encontros se sucederão nas capitais. Uma reunião em Salvador está marcada para o próximo dia 11 de abril. Na pauta: alternativas para a mídia corporativa, conservadora e dominada pelo pensamento único.

Na Bahia praticamente não há experiências alternativas, com exceção de alguns poucos blogs e sites. Em São Paulo a coisa já andou. O Jornal da CUT está sendo anunciado. A Revista do Brasil, que está prestes a chegar às bancas, está se consolidando como alternativa à revistas semanais fascistóides.

O jornalista Paulo Henrique Amorim alerta para a necessidade de popularização de páginas virtuais antes que o “sistema” sufoque as tentativas. O ataque do IG ao blog Conversa Afiada soa como um alerta vermelho.

Os encontros de profissionais de comunicação, estudantes e professores que estão sendo programados nas capitais representam um passo adiante na construção de uma mídia alternativa. Uma parte da grande mídia boicota as mobilizações da CUT e demoniza os movimentos sociais. Outra parte deturpa e mente sobre as realizações do Governo Lula. E há ainda uma pequena e radical parcela que não esconde a meta de desestabilização, na tradição golpista da imprensa brasileira.

Também não dá para cobrar do governo federal a democratização da mídia. Isso não vem de cima. Como bem afirmou Paulo Henrique Amorim em palestra na CUT “esqueçam o governo, metam o pé na porta e construam uma mídia alternativa a partir do que têm”.

DIA 11 DE ABRIL EM SALVADOR META O PÉ NA PORTA.

http://www.bahiadefato.blogspot.com/

Idênticas diferenças



O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM-SP), anunciou, durante um debate realizado na Rádio Eldorado, investimento de R$ 75 milhões no projeto de uma nova linha de metrô que deverá ligar as zonas norte e leste da cidade.

O investimento no Metrô foi anunciado num momento em que a prefeitura paulistana também planeja ampliação do bilhete único e um pacote de obras viárias que pretenderiam minimizar os altos índices de congestionamento no trânsito da capital paulista.

Mas não é só: os projetos de Kassab deverão receber cerca de R$ 1 bilhão do governo do Estado, por decisão do governador José Serra, que deverá apoiar o prefeito paulistano em seu projeto de se reeleger neste ano, até porque Kassab é a herança que o tucano nos legou no início de 2006, quando deixou o cargo para se candidatar ao Executivo paulista.

Peço ajuda aos leitores para que me expliquem qual é a diferença entre os gastos do governo federal no PAC, que toda grande imprensa disse "eleitoreiros", e os gastos do governo paulista com a capital do Estado num ano em que todas as cidades brasileiras elegerão novos governos.

Peço ajuda, porque posso estar ficando estúpido ou doido.

É que no dia em que escrevo isto conversei sobre o tema com um sujeito que freqüenta um barzinho onde costumo tomar meus cafezinhos vespertinos. Ele se diz "assessor" da prefeitura paulistana e diz que a diferença é que as obras de Kassab e Serra em ano eleitoral são "necessárias", mas as do PAC não. Segundo ele, são "eleitoreiras".

Perguntado sobre por que e sobre quais são as obras "eleitoreiras" do PAC, não soube mencionar nenhuma. São eleitoreiras e pronto. E muito menos soube me dizer por que é que essas verbas federais "eleitoreiras" estão sendo empregadas também em governos de adversários do governo federal.

Em vista do exposto, peço desculpas ao leitorado deste blog pela minha falta de inteligência, de compreensão dessa diferença que, para os políticos que governam a capital e o Estado de São Paulo, bem como para a grande mídia, é tão evidente.

http://edu.guim.blog.uol.com.br/

O consumo no início de 2008


Artigo - Julio Gomes de Almeida

Terra Magazine - O Banco Central, na Ata de sua última reunião que decidiu pela manutenção da taxa básica de juros em 11,25% a.a., surpreendeu ao anunciar que cogitou um aumento da taxa Selic. O argumento básico ventilado pelo órgão foi que o crescimento da demanda interna tem sido muito elevado. No final de semana foi a vez do Ministro da Fazenda se mostrar preocupado com maior consumo e seus possíveis efeitos sobre os preços. O Ministro acenou com restrições para os prazos dos financiamentos ao consumidor.

Como cabe ressaltar, uma pressão de demanda não acende o perigo da inflação por si só; para que desperte aumentos de preços é necessário que ao lado disso a oferta de bens e serviços na economia não acompanhe a sua trajetória. O ponto básico da avaliação dos riscos de inflação está, portanto, na análise comparativa dos ritmos projetados para a demanda, de um lado, e para a oferta, de outro.

No cotejo das tendências de demanda com a oferta, a evidência das últimas pesquisas da FGV e da CNI vai na direção de que os investimentos realizados no ano passado já se traduzem em aumento de capacidade produtiva, fator que levou ao estancamento dos aumentos do grau de utilização de capacidade que vinham ocorrendo ao longo do ano passado como resultado de um ritmo de expansão da demanda maior do que a oferta doméstica, algo que não se traduziu em pressão sobre os preços devido ao aumento das importações. A propósito, os dados para a importação no primeiro bimestre desse ano, que registram acréscimo na compra de bens de capital ao redor de 50% em comparação com o primeiro bimestre do ano passado, é um indicador forte de aceleração dos investimentos na economia.

Isso deve reforçar a continuidade do crescimento da capacidade de produzir da indústria, permitindo que a aceleração da demanda do final do ano passado e o bom ritmo do consumo no início de 2008 sejam satisfeitos sem que a inflação aumente. Talvez resida em uma subestimada avaliação do ritmo com que a capacidade produtiva passou a crescer no Brasil, depois de transcorridos os períodos normais entre as decisões de investir e a real incorporação de nova capacidade ao processo produtivo, a principal diferença entre os argumentos apresentados pelo Banco Central em sua Ata, os quais, de certa forma, o Ministro da Fazenda endossou, e uma avaliação alternativa, mais otimista, sobre as perspectivas futuras de inflação. [...]

[...] Em suma, os sinais do início do ano para o consumo parecem evidenciar a manutenção do dinamismo do final do ano passado, período no qual se deu uma aceleração das vendas reais do varejo, mas não é clara uma nova aceleração do consumo. O resultado excepcional das vendas do varejo para janeiro em parte foi motivado por promoções realizadas pelo comércio e que compensaram um resultado de vendas de dezembro que não correspondeu inteiramente às expectativas do setor. Tampouco está definida a tendência do crédito, especialmente no caso dos financiamentos para as famílias, devido ao seu encarecimento em razão do aumento do IOF e da elevação dos spreads bancários. As maiores taxas dos financiamentos podem levar a um recuo da elevada expansão do crédito para pessoas físicas e desacelerar o crescimento do consumo.

Leia a matéria completa no site do Terra Magazine

Política industrial: Plano é ter seis setores na liderança mundial


O estado de S. Paulo


A política industrial em gestação no governo pretende colocar seis setores da economia brasileira no topo do ranking dos exportadores mundiais. São eles: papel e celulose, mineração, petroquímica, siderurgia, carne e aeronáutico. O objetivo é que esses setores se coloquem ou se mantenham entre os cinco principais exportadores do planeta. Eles fazem parte do grupo, dentro da nova política industrial, chamado "liderança mundial e conquista de mercados".
Para alcançar esse objetivo, as empresas dos quatro primeiros setores serão apoiadas com planos de investimento que lhes permitirão crescer, de forma que terão um porte semelhante a seus principais competidores. A avaliação do governo é que as empresas brasileiras nesses setores são menores que seus concorrentes internacionais. Além disso, as empresas nacionais levam desvantagem do ponto de vista tecnológico. Por outro lado, elas têm acesso privilegiado a matérias-primas.
Papel e celulose, siderurgia e petroquímica têm investimentos previstos de R$ 99 bilhões até 2011. Desse total, R$ 38,5 bilhões serão desembolsados pelo BNDES. Além de financiamento, o banco deverá cooperar com a estruturação de fundos de investimento nessas empresas e até com a compra de participação acionária.
Outros setores foram incluídos na política com outra meta: melhorar suas condições de competitividade no mercado mundial. É o caso do complexo automotivo, têxtil, madeira, plásticos, higiene e perfumaria, indústria naval e de bens de capital, entre outras. Há, ainda, seis setores cujo desenvolvimento é considerado estratégico para o País: complexo saúde, energia, tecnologias da informação e comunicação, indústria de defesa, nanotecnologia e biotecnologia.
No total, o BNDES reservou R$ 210,4 bilhões para financiar os setores de indústria e serviços entre 2008 e 2010. A esses recursos somam-se R$ 41,2 bilhões em recursos do Programa de Apoio à Capacitação Tecnológica da Indústria (Pacti), do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).
Existe ainda um volume de desonerações tributárias cujo montante está em negociação. Estão programadas quatro reuniões até sexta-feira para tentar fechar um número, mas é possível que as discussões se estendam pela próxima semana.

http://www.aleporto.com.br/

25/03/2008

O fracasso do leilão da CESP



A imagem de eficiência do governo Serra sai bastante arranhada desse episódio de tentativa frustrada de privatizar a CESP.

Primeiro, o governo do Estado agiu ideologicamente (e bairristamente) ao impedir a participação de estatais de outros estados no leilão. Com isso, reduziu a competição

Depois, não cuidou de eliminar problemas básicos de insegurança jurídica, como o prazo de concessões das hidrelétricas controladas pela CESP.

Também, não entendeu os movimentos de mercado. Com dois fatores de incerteza à vista, alguns bancos jogaram pesadamente em boatos para derrubar o valor da companhia e comprar na bacia das almas.

Finalmente, não avaliou os impactos da crise internacional no financiamento das concorrentes.

Tentei falar agora à tarde com Mauro Arce – o responsável pela operação – mas não foi possível. Como já estou na estrada, talvez consiga mais tarde pelo celular.

De qualquer modo, o mito da eficiência da equipe de Serra está abalado.


Exageros críticos e a crise


Artigo - Vinícius Torres Freire


Folha de S. Paulo - As contas externas entraram no vermelho, não há dúvida. O saldo comercial vai cair, e há incerteza maior sobre o preço das exportações. Etc. Mas mais uma vez se percebia ontem, no universo midiático-analítico, um alarmismo distorcido por ansiedade e pessimismos pelos motivos errados.


A alta freqüência de estatísticas econômicas causa ansiedade míope e reações exageradas diante de indicadores sobre períodos curtos, a maioria relevante só para o pessoal das finanças, que faz ou perde muito dinheiro devido a variações mínimas de preços e expectativas. Alguns dados, como o saldo semanal do comércio externo, dizem muito pouco para quase todo cidadão.


Após um bimestre, ficou evidente o aumento do ritmo de importações. Previsível, pois o consumo doméstico aumenta bem mais que o PIB, e não estão chovendo fábricas, apesar da alta dos investimentos. Dimensionar o tamanho do saldo comercial, porém, é difícil: há dispersão ainda enorme nas previsões, que vão de US$ 15 bilhões a US$ 30 bilhões, entre bons economistas. E, de costume, o volume de exportações cresce a partir de meados do ano, com picos entre o terceiro e o quatro trimestre. "De costume", como em muita previsão econômica, isso pode não ocorrer. Mas ora há exagero demais, dada a informação ainda parca.

O exagero foi multiplicado pelo tombo das commodities (energia, comida, metais), produtos dos quais depende o valor de 60% da exportação brasileira. Sim, é razoável esperar preços menores, dada a crise americana. Sim, especuladores que venderam apostas em commodities não o fizeram só para cobrir perdas e realizar ganhos, mas para rearranjar risco e rentabilidade de sua carteira de investimentos tendo em vista expectativas sobre a demanda mundial (e sobre o dólar). Mas o mercado de commodities é pequeno em relação à dinheirama global. Qualquer movimento da finança bate forte nos preços. Commodities, porém, continuam escassas, e não se sabe quanto de seu preço é especulação e quanto reflete oferta e demanda.

Diz-se que o "rombo" divulgado ontem na conta corrente é resultado da crise mundial. Onde? Talvez já se veja um pequeno reflexo disso na morosidade das exportações. Talvez o aumento forte da remessa de lucros reflita em parte o balanço ruim na sede das múltis, mas o bom ganho das empresas e o real forte impulsionam o fenômeno. Além de remessas, o dado importante é o aumento de importações, que nada tem a ver com crise externa. O investimento estrangeiro em produção cresce. No lado dos compromissos da dívida, um histórico e grave complicador das contas externas, a coisa vai bem.

Teria havido uma silenciosa, espetacular e fantástica revolução se o Brasil não tivesse déficit em conta corrente com o PIB correndo a 5% e o consumo a 10%. Mas não houve revolução produtiva e o gasto do governo cresce demais -é tudo previsível. O problema, outra vez, será o de como reagir à possibilidade de um déficit perigoso, por período prolongado, e de melhorar as condições da oferta, no médio e longo prazos, sem mágicas e expectativa de milagres na política econômica. O mar global não está para peixe, mas, por ora, não ocorreu nada de excepcional, inesperado ou catastrófico.

Políticos de direita são os donos da mídia, aponta pesquisa


Os políticos dos partidos conservadores de direita e de centro, DEM, PSDB e PMDB são os “donos da mídia” nacional. É o que conclui o Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (Epcom). Ao total, 271 políticos são sócios, proprietários ou diretores de emissoras de rádio e TV. Contrariando a legislação, a maioria deles é prefeito, seguidos dos deputados estaduais.

Dos políticos-proprietários de meios de comunicação, 147 são prefeitos (54,24%), 48 (17,71%) são deputados federais; 20 (7,38%) são senadores; 55 (20,3%) são deputados estaduais e um é governador. Esses números, porém, correspondem apenas aos políticos que possuem vínculo direto e oficial com os meios – não estão contabilizadas as relações informais e indiretas (por meio de parentes e laranjas), que caracterizam boa parte das ligações entre os políticos e os meios de comunicação do país.

“Salta aos olhos a quantidade de prefeitos donos de veículos de comunicação. Demonstra a conveniência do Executivo em usar esses meios para manter uma relação direta com seu eleitorado”, destaca James Görgen, pesquisador do Epcom.

Entre as mídias mais apreciadas pelos prefeitos, conforme a pesquisa, destacam-se o rádio OM (espaço onde acontecem os debates públicos) e as rádios comunitárias (que permitem a proximidade com a comunidade, a troca diária com o eleitorado, seja por meio da administração da rádio, seja pelo controle da programação). ''Assim, eles garantem suas bases eleitorais'', avalia Görgen. Já os senadores e deputados aparecem como proprietários de mídias com maior cobertura, como as TVs e FMs.

“Em ano de eleições, é difícil imaginar que esses políticos deixem de usar seus próprios meios de comunicação para tirar vantagem logo de saída na corrida eleitoral”, analisa o pesquisador, dando como exemplo os prefeitos-proprietários, que este ano podem usufruir de temporada maior que a regulamentar da campanha para fazer sua exposição positiva. “Isso dá a eles uma vantagem enorme e representa um risco à democracia”, conclui.

Em relação às regiões, relativizando as proporções de cada uma e a densidade de municípios, a pesquisa confirma a prática do chamado “coronelismo eletrônico” concentrado no nordeste brasileiro, onde prevalecem políticos controlando meios de comunicação.

Quanto aos partidos, esses políticos surgem assim: 58 pertencem ao DEM, 48 ao PMDB, 43 ao PSDB, 23 são do PP, 16 do PTB, 16 do PSB, 14 do PPS, 13 do PDT, 12 do PL e 10 do PT.

Os números apresentados são resultado do cruzamento de dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) com a lista de prefeitos, governadores, deputados e senadores de todo o país.

Coronelismo eletrônico

No ano passado, uma subcomissão especial da Comissão de Ciência, Tecnologia e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados, analisou os processos de outorga no setor de radiodifusão e apresentou, em dezembro, relatório revendo as normas de concessão de rádio e televisão. Uma proposta de Emenda Constitucional foi encaminhada pelo grupo, acrescentando um parágrafo ao artigo nº 222 da Constituição, que estabelece: ''não poderá ser proprietário, controlador, gerente ou diretor de empresa de radiodifusão sonora e de sons e imagens quem esteja investido em cargo público ou no gozo de imunidade parlamentar ou de foro especial''.

A presidente da subcomissão, deputada Luíza Erundina (PSB-SP), explicou, na época, que, como esse artigo ainda não foi regulamentado, os detentores de cargos públicos conseguem burlar a Constituição. Segundo ela, os políticos utilizam essas brechas para adquirir emissoras.

O coordenador-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Celso Augusto Schröder, condena a utilização privada das concessões públicas e defende que a lei seja mais clara e que sejam construídos ritos públicos eficientes.

A deputada relatora da proposta, Maria do Carmo Lara (PT-MG) declarou, no relatório, que a propriedade e a direção de emissoras de rádio e televisão 'são incompatíveis' com a natureza do cargo político.

O texto cita ainda um 'notório conflito de interesses' dos parlamentares, já que os pedidos de renovação e de novas outorgas de rádio e TV passam pela aprovação dos próprios deputados e senadores. A proposição ainda não foi posta em votação.

Site Vermelho e Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC)

22/03/2008

A GLOBO JÁ ESTÁ EM CAMPANHA, EM ESFORÇO MELHOR ORGANIZADO QUE O DE 2006



SÃO PAULO - Governo e oposição já estão em franca campanha para as eleições municipais de 2008. O governo faz o PAC e os Territórios da Cidadania, que são obras importantes de infraestrutura mas podem, óbviamente, render dividendos eleitorais. A oposição está desarticulada no Congresso, mas tem aliados importantes no STF e na mídia.

O partido mais forte de oposição é o Partido das Organizações Globo. Só não percebe que está em campanha eleitoral quem não presta atenção. A campanha vai do Jornal Nacional à rádio CBN, passando pelo jornal O Globo e o portal da Globo.com. Não existem reuniões de campanha. Não é preciso. Os senadores, deputados e vereadores do partido pensam igual. Alguns são escalados para tentar agendar o noticiário do dia, através do Bom Dia Brasil. Outros trabalham junto à elite, em programas da Globonews. Há os que ataquem em novelas e no entretenimento. É uma bancada de famosos.

Sinceramente, não sei qual é a eficácia desse martelar contínuo. O time é formado não só por aqueles que recebem salários diretamente, mas também pelos contratados para prestar serviço. São os especialistas, que recebem um espaço extraordinário em concessões públicas de rádio e de televisão para dar suas opiniões "neutras". Esse tempo não é contado no oferecido a integrantes do governo ou da oposição. É tempo de comentários supostamente jornalísticos. É propaganda eleitoral disfarçada.

Em 2006 o Jornal Nacional dava um minuto para o Alckmin, um minuto para a Heloísa Helena, um minuto para o Cristovam Buarque, um minuto para o Lula, dois minutos para a capa de Veja e cinco minutos para escândalos federais. Não existiam escândalos estaduais, nem municipais.

Já está no ar, nas Organizações Globo, uma reprise de 2006, agora melhor organizada.

De lá para cá a linha editorial dos veículos foi consolidada, a ponto de os correspondentes internacionais receberem o que pode ser definido como "material de propaganda", para que aprendam o que pensa a direção da empresa. Ainda que alguns correspondentes usem os livros para calçar a porta de casa, o importante é que repitam, no ar, o conteúdo.

Há três objetivos: um, de curto prazo, meramente eleitoral. Nessa estratégia se encaixam participações como as do doutor Rosenfield na rádio CBN. Ele é apresentado como doutor em ética e professor universitário. O ouvinte desavisado acha que é uma simples autoridade intelectual supostamente imparcial. Essas "autoridades" serão usadas crescentemente para não desgastar a credibilidade dos jornalistas da casa, munição importante para as vésperas da eleição.

Os ataques vão se concentrar naquilo que os aliados do governo poderão usar na campanha, especialmente no PAC. As CPIs dos cartões corporativos e das ONG são mantidas em banho-maria. É delas que surgirão os escândalos para alimentar o noticiário dos próximos meses. Se 2006 serve de exemplo, esses e outros escândalos vão atingir o ápice em agosto ou setembro. Se começarem a surgir muito cedo, haverá tempo de refutar as informações superficiais, distorcidas, manipuladas ou tiradas de contexto - especialmente através da internet.

O segundo objetivo é mais longínqüo: as eleições de 2010. Os jornalistas assalariados e os comentaristas alugados vão mirar em qualquer candidato em potencial ligado ao governo - de Ciro Gomes a Dilma Roussef. É um trabalho de longo prazo. Feito com paciência, diligência e organização.

O terceiro objetivo tem caráter mais ideológico: derrubar iniciativas consideradas prejudiciais aos interesses políticos ou econômicos das Organizações Globo, das grandes corporações e da política externa dos Estados Unidos, que na verdade se confundem. Direitos das corporações serão defendidos como se fossem direitos humanos. Direitos trabalhistas serão atacados como atraso. Por exemplo, ligando as leis ao entulho da ditadura Vargas. E os direitos das minorias serão vendidos como violação de direitos alheios, isto é, da elite branca como definida pelo ex-governador Cláudio Lembo.

E assim serão combatidas a redução da jornada de trabalho, os aumentos do salário mínimo acima da inflação, os programas sociais, a reforma agrária, o reconhecimento de direitos dos quilombolas e dos indígenas que ameacem o agronegócio, o estatuto da Igualdade Racial, a expansão do Mercosul e qualquer iniciativa que represente aproximação entre o Brasil, a Bolívia, o Equador e a Venezuela.

O combate ao governos destes três últimos países tem a ver com a ameaça da consolidação de um caminho que põe em xeque a soberania dos Estados Unidos sobre a América Latina, que é um fato afirmado, confirmado e reafirmado através da contínua intervenção política, econômica e militar no México, na Guatemala, na Nicarágua, em El Salvador, na Costa Rica, em Cuba, em Granada, no Panamá, em Porto Rico, na República Dominicana, no Haiti, na Colômbia, na Venezuela, no Chile, no Brasil, na Argentina, na Bolívia e no Paraguai. Esqueci alguma intervenção? A Globo esqueceu.

O CEDOC da Globo parece ter sido vítima de um apagão digital. O CEDOC da Globo só se lembra dos seqüestros praticados pelas FARC. O CEDOC da Globo se esqueceu da derrubada de um avião cubano com 57 passageiros a bordo em 1976 e do fato de que os autores do atentado viveram ou vivem livres, leves e soltos nos Estados Unidos. Nessa parte do arquivo deu tilt. Se o CEDOC se lembrar disso vai ser preciso explicar aos telespectadores da Globo que governos americanos deram cobertura a terroristas. Já imaginaram?

Eu escolhi reproduzir o áudio da rádio CBN, que está na Rádio Viomundo, para dar um exemplo do que ouvem milhões de paulistanos em seus automóveis, presos no engarrafamento, que é sempre causado "por excesso de veículos", no jargão da emissora. Os congestionamentos-monstro de São Paulo nunca são causados por falta de planejamento ou pela inércia dos poderes públicos. Admitir isso seria, de alguma forma, prejudicar o projeto político aliado, que hoje controla a Prefeitura de São Paulo e o governo estadual.

Notem como o jornalista-locutor, no áudio que reproduzo, se sente à vontade para sugerir que, infelizmente, é impossível mudar de técnico - ou seja, é impossível derrubar um presidente da República eleito pela maioria.

Sugiro a vocês que escrevam aí embaixo uma lista de senadores, deputados e vereadores da bancada das Organizações Globo. Vou criar uma seção neste site para que fiquem registradas as declarações da bancada da Globo nesta campanha eleitoral. Peço a contribuição de todos. Não pode haver erro: o objetivo é o de reproduzir literalmente o que escrevem e dizem no rádio e na TV os integrantes deste verdadeiro partido político, de alcance e penetração nacionais.

Gravem da TV, do rádio, recortem dos jornais. Vamos fazer a partir de agora um grande banco de dados com os comentários "apartidários" do Partido das Organizações Globo, para a diversão de futuras gerações. Quem sabe saia disso um livro, o primeiro produzido no Brasil a partir da ação colaborativa de internautas. Poderemos chamá-lo de Pérolas do Jardim Botânico.
http://www.viomundo.com.br/

A incompetência tucana no trânsito e nos transportes


A imprensa publica há semanas recordes diários de congestionamento registrados no trânsito de São Paulo, e as reportagens tratam também dos transportes, questões indissoluvelmente interligadas. Só não apontam o que vou dizer agora, com todas as letras: a responsabilidade é dos tucanos.

Há 13 anos no poder no Estado e há quatro na Prefeitura paulistana, eles não fizeram nada. Não investiram em transportes metropolitanos, nem urbanos, nem no metrô. Não tem política para a área e deixaram sucatear tudo. José Serra foi eleito prefeito, governou um ano e poucos meses e saiu. Seu substituto, Gilberto Kassab, é do DEM, mas 80% da "máquina" da Prefeitura continua ocupada por tucanos. São eles, portanto, os responsáveis por esse desmanche.

Nada de investimento expressivo no transporte metropolitano e, na Capital, a expansão do metrô, vital para a melhoria do trânsito e do transporte, faz-se a passo de tartaruga - 1,7 km/ano, muito aquém das necessidades da Capital, que precisaria, no mínimo, duplicar este ritmo de construção. Outro fato gravíssimo mostra a insensibilidade social dos tucanos no governo e mexeu direto no bolso do trabalhador: o ex-governador Geraldo Alckmin acabou com o bilhete múltiplo de várias viagens vendido com desconto no metrô.

Corredores de ônibus confortáveis e com boa velocidade estão entre as alternativas mais rápidas, econômicas e viáveis para conquistar para o transporte público os que hoje utilizam carro. São Paulo tem 11 corredores, boa parte construídos pelo governo Marta Suplicy. A continuidade da implantação fazia parte de sua plataforma de campanha à reeleição. Serra a encampou, prometeu o mesmo, mas uma vez na Prefeitura, em quatro anos ele e aliados - que lá continuam - não construíram um único corredor.

Hoje só 20% da rede de 1.200 semáforos inteligentes funcionam na Capital e 2.500 dos 5.500 cruzamentos estão com faróis eletromecânicos ultrapassados. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) conta com apenas 1.800 guardas de trânsito, quando precisa de um número quatro vezes maior. Mas, empossado uma das primeiras preocupações do prefeito Serra foi demitir parte destes fiscais, os "marronzinhos".

Criticaram e fecharam túneis construídos pela Marta para melhoria do trânsito e suspenderam os pagamentos. Diante da conclusão de que estava tudo correto na construção tiveram que pagar bem mais, com multa, por essa irresponsabilidade. O governo municipal do PT havia peitado a "máfia dos ônibus", enquadrando-os para prestarem serviços decentes. Os tucanos voltaram a dobrar a espinha para o setor.

Agora sob pressão da opinião pública e cobrada pela mídia, a Prefeitura anuncia paliativos: vai impedir estacionamento em ruas movimentadas - a medida, em prática há anos, não resolve coisa nenhuma - e divulgar mais de uma centena de vias alternativas às que mais congestionam. Também já foi adotado antes e não funcionou. Como você vê, não só abandonaram o transporte e trânsito como, não contentes, desmontaram as políticas para as duas áreas elaboradas pelo governo do PT na Capital.

Vestida como palestina, ativista experimenta o racismo israelense


As agressões só estado de Israel ao povo palestino caminha para tornar-se uma tragédia humanitária tão seria é importante quanto o holocausto.
É difícil entender como um povo que sofreu uma violência tão grande como o povo judeu, possa repetir contra os palestinos as mesmas atrocidades que outrora sofrerá.
A matéria abaixo é singular neste contexto a israelense Liad vestiu trajes de palestinos e freqüentou os mesmos lugares que freqüente diariamente em Tel Avive, sentiu na pele a discriminação e o ódio.

Gerson

A israelense Liad Kantorowicz, de 30 anos, ativista política formada em estudos do Oriente Médio, resolveu usar a si mesma como cobaia de um experimento sociológico: durante um mês ela circulou em Tel Avive disfarçada de palestina muçulmana.

Algumas de suas observações:


“Meu plano era continuar vivendo a minha vida normal e freqüentar os mesmos lugares que costumo freqüentar, mas usando o hijab, e registrar as reações das pessoas”.

“Também queria tentar sentir o que sente uma mulher palestina que circula em Tel Aviv”.

“Sentia que todos os olhares se concentravam em mim, e havia muitos olhares hostis”.

Quando participou em uma manifestação de grupos de esquerda contra o bloqueio de Israel à Faixa de Gaza, foi agredida por pessoas que passavam na rua.

“Éramos cerca de cem manifestantes, mas eu fui a única que sofreu agressões físicas, algumas pessoas me empurraram, cuspiram em mim e gritaram ‘desapareça deste país, não queremos vê-la por aqui!’.''
Embora tenha passado por momentos difíceis, Liad não se arrepende da experiência.

Foi fascinante”, disse, “aprendi muito durante este mês. Com o hijab e as roupas que vesti, estava coberta da cabeça aos pés, mas me senti mais exposta do que nunca a todos os tipos de violência”
“A experiência me fez perceber o quanto eu não sei sobre as mulheres palestinas'', afirmou a jovem. ''Tentei entrar em um personagem imaginário, mas não posso saber realmente como uma mulher palestina se sente”.

Dia Internacional contra Discriminação

Neste sábado, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que a questão da discriminação racial é uma preocupação para todos os povos e países.

Ban emitiu uma mensagem para marcar o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, neste 22 de março.

A data foi instituída em memória das vítimas do Massacre de Sharpeville, na África do Sul, em 1960. A polícia reprimiu um protesto pacífico contra o regime do apartheid matando 69 pessoas.

O Secretário-Geral da ONU lembrou que as comemorações deste ano coincidem com a preparação para o processo de revisão das ações tomadas para evitar a discriminação desde a Conferência Mundial contra Racismo, Xenofobia e Intolerância em 2001.

Com informações do Blog do Bourdoukan
http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=34573

Ação do Ibama desmonta serrarias no Pará


A operação Arco de Fogo começa a mostrar resultados, assim como feito no sul da Bahia, a proibição e desmontagem das madeireiras é a melhor coisa a ser feita no combate a devastação da Amazônia.
No inicio dos anos noventa o governo federal determinou o fechamento de todas a serrarias que existiam no sul da Bahia, com o tempo esta atitude mostrou-se correta e os resultados estão ai, apesar de ainda existir desmatamento e trafico de madeira em nossa região, o que acontece hoje é infinitamente menor que o desfile de caminhões carregados com toras gigantescas que víamos por nossas estradas.
O próximo passo é definir políticas publicas que gere emprego e possa substituir a oferta de empregos das madeireiras. Oferecer alternativa econômica a população do Sul do Pará é fundamental para o sucesso da operação.
Gerson
Ação do Ibama desmonta serrarias no Pará

O Globo - O Ibama iniciou ontem uma inédita ação de desmonte de serrarias flagradas com madeira sem procedência sustentável no município de Tailândia, a 235 quilômetros de Belém. A ação faz parte da operação Arco de Fogo, de combate ao desmatamento. A primeira madeireira desmontada pelo Ibama, com o apoio de fiscais da Secretaria de Meio Ambiente do Pará (Sema), foi a Santo André, que funcionava em plena zona urbana de Tailândia sem licença ambiental, e não tinha comprovação sobre a origem da madeira apreendida em seus pátios. Todo o maquinário da serraria foi levado para um depósito da Sema. A idéia da fiscalização do Ibama, com o apoio do Ministério do Meio Ambiente, é passar o trator por cima das instalações da serraria.

- O impacto significativo da operação vai além da multa. O Ibama paralisa a atividade madeireira ilegal e a PF responsabiliza criminalmente os responsáveis - observa o coordenador do Ibama, Bruno Versiani.

A operação Arco de Fogo, com a participação da Polícia Federal e da Força Nacional de Segurança, já contabiliza um total de R$9 milhões em multas, aplicadas por um volume de 16,4 mil metros cúbicos de madeira apreendida sem documento legal de origem.

PF descobre toras de madeira escondidas em milharal em Tailândia - A Polícia Federal descobriu centenas de toras de madeira nobre enterradas sob uma plantação de milho, às margens da rodovia PA-150 em Tailândia, a 235 quilômetros de Belém. Policiais federais e fiscais do Ibama, integrantes da operação Arco de Fogo, de combate aos desmatamentos na Amazônia, fizeram um sobrevôo de helicóptero e estranharam encontrar uma grande clareira em meio à gigantesca plantação de milho. Ao escavarem o solo da parte desmatada do milharal, encontraram toras de maçaranduba, ipê e angelim, entre outras madeiras nobres, supostamente enterradas por madeireiros da região.

- Ações como essa, de enterrar madeira no milharal para tentar enganar a fiscalização, não vão nos intimidar. Chegaremos aos responsáveis com trabalho de inteligência, afirmou o delegado Raimundo Freitas, coordenador da Operação Arco de Fogo pela Polícia Federal.

Com o apoio de técnicos da secretaria de Meio Ambiente do Pará, a Polícia Federal está escavando o milharal, buscando as toras de madeira sepultadas pelos madeireiros de Tailândia. Na semana passada, fiscais do Ibama e da Sema já haviam descoberto centenas de toras enterradas em montanhas de serragem no pátio da serraria Santo André, interditada e desmontada pelo Ibama por atuar sem licença ambiental e sem comprovar a origem da madeira estocada em seu pátio.

Em 20 dias, as equipes integradas por fiscais do Ibama, policiais federais e da Força Nacional de Segurança já inspecionaram 40 estabelecimentos, entre madeireiras, carvoarias e propriedades de pessoas físicas. Desses, 39 foram multados e 23 tiveram suas empresas embargadas por problemas na documentação ou por não comprovarem a origem de estoques de madeira e carvão vegetal. Foram apreendidos 16,4 mil metros cúbicos de madeira, sendo 15,2 mil metros cúbicos de toras e 1,2 mil metro cúbico de madeira serrada estocadas por serrarias de Tailândia que não comprovaram a origem legal do produto. Foram lavrados 76 autos de infração, em valores superiores a R$ 9 milhões. Além da madeira ilegal, também foram apreendidos mais de mil metros de carvão produzido sem licença ambiental e 23 motosserras.

20/03/2008

Lula é o mesmo, mas o cenário é outro




Coluna - Elio Gaspari

Folha de S. Paulo - Araraquara teve a conferência de Jean-Paul Sartre em 1960 e o discurso de Nosso Guia em 2008. Se uma mentira, repetida mil vezes, acaba virando verdade, o que dizer de uma verdade repetida mil vezes?

Bendita a cidade que ganha fama com uma palestra. Foi isso que aconteceu com Araraquara depois que o filósofo francês Jean-Paul Sartre terminou sua conferência no auditório da Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras, em setembro de 1960. Daí em diante ela se tornou conhecida como "a Conferência de Araraquara". Era uma época em que as pessoas iam a esses eventos de terno e gravata. Sartre tratou de arcanas questões filosóficas e teve Jorge Amado na mesa, Fernando e Ruth Cardoso, mais Antonio Candido e Gilda de Mello e Souza na primeira fila.

Há uma semana, discursando em Araraquara, na inauguração da escola que ganhou o nome da professora Gilda, morta em dezembro de 2005, Nosso Guia fez um discurso que merece atenção. Foi um improviso, menor que a conferência de Sartre, mas ainda assim longo. Tem seis vezes o tamanho deste artigo e, à primeira vista, pode ser confundido com mais um Opus Lula.

Nosso Guia trocou de cenário. Ele cavalga o desempenho da economia e os avanços sociais ocorridos durante seu reinado. Não formula idéias novas, apenas arruma velhos esplendores. Lula faz isso de uma forma que seus adversários devem pensar melhor antes de continuar com uma oposição de frases feitas e CPIs para alimentar noticiário.

Alguns exemplos:

"Todo o sacrifício que nós fizemos permitiu que a gente pudesse estar vivendo o momento que estamos vivendo hoje. (...) Hoje temos quase 200 bilhões de dólares de reservas, não devemos nada ao FMI, não devemos nada ao Clube de Paris e não devemos nada a ninguém."

"Aqui no Brasil pobre não tinha acesso a banco. Aliás, os bancos tinham desaprendido a atender pobre. (...) O que nós fizemos? Nós resolvemos fazer crédito para o povo pobre. (...) Criamos o crédito consignado. (...) Eu acho que a gente colocar dinheiro na mão do pobre é investimento neste país."

"Quando eu tomei posse a indústria automobilística me procurou dizendo: "Nós estamos quebrados". (...) E ontem eu recebi uma carta: eles saíram de 2,2 milhões de carros e estão prometendo produzir 4 milhões de carros em 2009. Qual foi o milagre? O milagre foi uma coisa que a gente vinha dizendo há 20 anos: com 24 meses de prestação, só pode comprar carro o setor da classe média. Se vocês quiserem que o pobre compre um carro, aumentem o número de prestações."

"Noventa e seis por cento dos acordos feitos pelos sindicatos são acordos feitos acima da inflação, com aumento real de salário."

"Neste ano, nós vamos ter a primeira turma formada pelo ProUni. São 60 mil jovens que tiraram o diploma pelo ProUni e 40% desses são negros e negras."
Nosso Guia teve até o seu "momento Obama": "O grande desafio (...) é acreditar que a gente pode".

Não há um novo Lula, o que há é uma nova conjuntura. Sua falação pode ser repetitiva, mas tem duas características. Primeiro, ele não está enrolando. Depois, leva à rua uma agenda de progresso e otimismo, deixando à oposição o penoso exercício do mau humor. Se uma mentira, repetida mil vezes, acaba virando verdade, o que dizer de uma verdade repetida mil vezes?

O Brasil bem pensante, que até hoje procura entender a conferência de Sartre, precisa ler o discurso de Araraquara. Está na internet, basta passar no Google
"discurso lula araraquara gilda". Em 1960, aos 15 anos, Nosso Guia corria atrás de seu único diploma. O do Senai.

IBGE mostra que setores ligados ao turismo cresceram 76% em 5 anos


Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que os setores ligados ao turismo cresceram 76% em geração de valor adicionado – renda obtida, descontados os custos para a prestação de um serviço ou produção de um bem – entre 2000 e 2005.

Em 2000, o segmento gerava valor adicionado total de R$ 74,7 bilhões, segundo o levantamento. Cinco anos depois, o valor passou para R$ 131,7 bilhões, informa a pesquisa do IBGE.

Leia também a matéria do G1:
Viagens corporativas respondem por 60% do turismo no Brasil

Apesar do crescimento, o resultado foi considerado "pífio" pelas entidades. O motivo é a crise pela qual passa o setor aéreo brasileiro, que sofre com o aumento de demanda associado à falta de investimentos de infra-estrutura. "Entre 2005 e 2006, o setor aéreo perdeu 7,5% de sua receita. Pelo menos 4,5 pontos porcentuais dessa retração estão relacionados ao caos aéreo", disse o professor de Turismo da USP, Hildemar Brasil, responsável pela pesquisa.

Mais uma vez, a lenga-lenga do caos aéreo (aquele que não existiu, como já demonstramos fartamente). Duvido que se encontrem, nessa pesquisa, números que fundamentem que existiu "caos aéreo" e que a redução de receita está associada a ele.
O número de passageiros transportados em 2007 (vôos domésticos) aumentou 8,83% em relação a 2006 (fonte: Infraero). E o número de 2006 aumentou 7,81% em relação a 2005.
Os preços das passagens aéreas tiveram redução significativa, por conta da acirrada competição entre TAM e Gol, com seguidas promoções de tarifas de baixo custo.

Logo, é forçar muito a barra tentar vender o "caos aéreo" (aquele que não existiu) como causa da redução da receita.

O mais provável e racional é que a redução da receita esteja associada à redução dos preços das passagens. Para fundamentar a redução de receita como causa do "caos aéreo" era preciso que tivesse havido redução e não aumento do número de passageiros transportados.

Além disso, como fui membro do governo até junho de 2007, posso informar que os Ministérios e órgãos governamentais (imagino que nos estados e municípios tenha ocorrido o mesmo fenômeno) passaram a fazer cotação de menor preço para compra das passagens, com maior rigor, a partir de 2006, por conta da postura agressiva da Gol, com suas baixas tarifas.


Até 2005, os funcionários escolhiam os vôos e horários. A partir de 2006, o setor administrativo responsável passou a escolher vôos e horários, ainda mais que as duas empresas sempre apresentavam vôos praticamente nos mesmos horários, o que facilitava a escolha.

Aumentou também o rigor na exigência de fazer o pedido com dez dias de antecedência à data da viagem pretendida. Como qualquer criança de oito anos sabe, quanto maior a antecedência na compra, menor o valor da tarifa a ser paga.

Portanto, a explicação do "caos aéreo" é, no mínimo, infeliz.
***
Postado por José Augusto Valente
http://logisticaetransportes.blogspot.com/

Mino fecha seu blog em solidariedade a PHA


O jornalista Mino Crata postou ontem a ultima matéria em seu blog, toma a atitude de sair do ar em solidariedade ao jornalista Paulo Henrique Amorim.
Mino faz parte de um time especial do jornalismo brasileiro, tem historia e mérito a mais que quase todos os jornalistas em atividade.

Foi o primeiro editor da Veja nos tempos em que esta revista era séria, enfrentou a ditadura dentro da redação, foi perseguido e censurado inúmeras vezes.

A atitude dele em fechar um dos blog mais lidos da internet em solidariedade a PHA é a conseqüência natural de uma historia de vida marcada por uma postura humanista, democrática e solidária.

Vai nos fazer falta a qualidade e a inteligência de suas postagens, esperemos que em breve possamos divulgar e acessar seu novo endereço.

Segue abaixo seus dois últimos post, o primeiro é um tapa na cara da elite paulistana, o segundo é a despedida.

Gerson



Diatribe paulistana


Meu caro Antonio Carlos Viard, São Paulo é o recanto mais reacionário do Brasil, concordo plenamente. Sou um genovês paulistano porque de certa forma me acostumei. Mas a cidade mudou demais, aquela que conheci em agosto de 1946 era muito diferente, embora a semeadura da arrogância, a retórica da “locomotiva do Brasil” e da “metrópole que mais cresce no mundo” começassem a deslanchar. Eu era muito menino, não percebi. Um livro muito interessante, “Orfeu Extático na Metrópole”, de Nicolau Sevcenko, conta essa história e localiza o momento em que a terra das grandes greves organizadas pelos anarquistas e pelos socialistas sucumbiu diante da prepotência dos senhores de café e da indústria nascente. Início dos anos 20. Além do mais, São Paulo é feia, cada vez mais feia, e monstruosamente desigual. O atual prefeito Kassab esmera-se para tirar os postes da Oscar Freire, a rua das grifes, ou de refazer as calçadas da Avenida Paulista, enquanto a periferia, e até áreas menos plebéias, não têm esgoto e galerias de águas pluviais. Sem contar a presença avassaladora de um esgoto ao ar livre representado pelos rios Pinheiros e Tietê. De caso pensado, os donos do poder paulistano cuidaram de racionar os espaços públicos até a penúria absoluta. Houve tempo em que os habitantes iam ao aeroporto de Congonhas e, deleitados, entregavam-se à sublime diversão proporcionada por aviões que pousam e levantam vôo. Hoje vão aos shoppings, movidos pela sanha consumista, ignaros e manipulados, a desconhecerem a importância da praça onde o povo discute e enfrenta os problemas coletivos. E os senhores, cheios de empáfia provinciana na exposição de falsos refinamentos? Freqüentam a Daslu e a Expand, reúnem-se em happy hours clangorosos e pelos restaurantes de uma ridícula “capital gastronômica do mundo” onde é muito difícil comer bem, e pronunciam frases feitas, lugares comuns e banalidades, aprendidos na leitura do Estadão, da Folha, da Veja e de Caras.


enviada por mino


O último post


Meu blog no iG acaba com este post. Solidarizo-me com Paulo Henrique Amorim por razões que transcendem a nossa amizade de 41 anos. O abrupto rompimento do contrato que ligava o jornalista ao portal ecoa situações inaceitáveis que tanto Paulo Henrique quanto eu conhecemos de sobejo, de sorte a lhes entender os motivos em um piscar de olhos. Não me permitirei conjecturas em relação ao poder mais alto que se alevanta e exige o afastamento. O leque das possibilidades não é, porém, muito amplo. Basta averiguar quais foram os alvos das críticas negativas de Paulo Henrique neste tempo de Conversa Afiada.


enviada por mino